Seu filho está quente, você coloca a mão na testa, pega o termômetro e vê a temperatura subir.
Nesse momento, é muito comum surgir a preocupação: “Dra., até quanto de febre eu posso esperar?”
Mas existe uma coisa que sempre explico aos pais. Quando uma criança está com febre, não devemos olhar apenas para o número que aparece no termômetro. A idade, o estado geral da criança, a duração da febre e os outros sintomas presentes são fundamentais para entendermos o que está acontecendo.
Por isso, saber observar a criança é tão importante quanto saber medir sua temperatura.
Afinal, o que é febre?
A temperatura do nosso corpo é regulada por uma região do cérebro chamada hipotálamo.
Quando o organismo identifica determinadas situações, principalmente infecções, pode elevar temporariamente essa temperatura como parte da resposta do sistema imunológico.
Por isso, a febre não é uma doença. Ela é um sinal de que alguma coisa está acontecendo no organismo.
Na infância, é extremamente comum que episódios de febre estejam relacionados a infecções virais. Mas existem diversas outras possibilidades. É por isso que não devemos tentar descobrir a causa apenas pela temperatura.
Como saber se o bebê está com febre?
Sentir a testa da criança com a mão pode levantar uma suspeita, mas não é uma maneira adequada de determinar a temperatura.
Quando houver dúvida, utilize um termômetro apropriado.
A interpretação da temperatura também depende da forma e do local em que ela foi medida. Por isso, vale conversar com o pediatra sobre a maneira recomendada para a idade do seu filho.
Mais importante ainda: não fique preso apenas a décimos no termômetro. O contexto clínico é fundamental
Febre alta significa doença mais grave?
Essa associação é muito comum: “Quanto mais alta a febre, mais grave é a doença.”
Mas não é necessariamente assim.
Algumas infecções virais podem provocar temperaturas elevadas, enquanto determinadas condições que exigem atenção podem ocorrer com febre não tão alta.
Por isso, o comportamento da criança é uma informação extremamente importante.
Observe: Ela está interagindo? Aceita líquidos? Está urinando normalmente? Respira confortavelmente? Melhora quando a febre diminui? Apresenta algum outro sintoma?
Uma criança que volta a brincar e interagir quando a temperatura baixa apresenta um cenário diferente de uma criança que permanece muito prostrada.
Por que a idade do bebê faz tanta diferença??
Esse é provavelmente um dos pontos mais importantes deste artigo.
Febre em bebês muito pequenos precisa ser valorizada. Especialmente nos primeiros meses de vida, o sistema imunológico ainda está amadurecendo e algumas infecções podem evoluir de maneira diferente.
Por isso, bebês com menos de 3 meses que apresentem temperatura de 38°C ou mais precisam de avaliação médica, mesmo quando aparentemente estão bem.
Nessa faixa etária, não é recomendado simplesmente medicar e esperar para observar a evolução sem orientação profissional.
Quando a febre merece atendimento médico?
Além da idade da criança, alguns sinais associados à febre precisam chamar a atenção dos pais.
Procure avaliação médica quando houver situações como:
- bebê com menos de 3 meses e temperatura igual ou superior a 38°C;
- dificuldade para respirar;
- sonolência excessiva ou dificuldade para despertar;
- criança muito prostrada;
- irritabilidade intensa ou comportamento muito diferente do habitual;
- convulsão;
- rigidez no pescoço;
- manchas ou alterações importantes na pele;
- vômitos persistentes;
- dificuldade para ingerir líquidos;
- sinais de desidratação;
- redução importante da quantidade de urina;
- piora progressiva do estado geral.
Também é importante procurar orientação quando a febre persiste ou quando os pais sentem que existe algo diferente no comportamento habitual da criança.
Pais conhecem seus filhos. Uma mudança importante no estado geral merece atenção.
Meu filho está com febre. Preciso dar antitérmico imediatamente?
O objetivo do antitérmico não deve ser simplesmente fazer o termômetro voltar ao “normal”. Quando indicado, ele é utilizado principalmente para proporcionar conforto à criança. Uma criança com febre pode ficar incomodada, apresentar dores ou ficar mais irritada.
Mas medicamentos precisam ser utilizados de acordo com a orientação do pediatra e respeitando a dose adequada ao peso da criança. Evite utilizar medicamentos por conta própria, repetir doses antes do intervalo recomendado ou combinar medicamentos sem orientação profissional.
E existe um cuidado especialmente importante: crianças não são adultos pequenos.
Medicamentos e doses utilizados por adultos não devem ser adaptados para crianças sem orientação médica.
E banho frio? Ajuda a baixar a febre?
Essa é uma prática que ainda aparece bastante dentro das famílias.
Banhos frios, compressas geladas ou álcool na pele não são estratégias recomendadas para tratar a febre. Além de provocarem desconforto, podem causar tremores e tornar aquele momento ainda mais desagradável para a criança.
O objetivo deve ser proporcionar conforto, manter a criança adequadamente hidratada e seguir as orientações do pediatra.
A hidratação é importante durante a febre?
Sim. Quando estamos com febre, podemos perder mais líquidos. Nas crianças, principalmente nas menores, precisamos ficar atentos à hidratação.
Ofereça líquidos adequados para a idade com frequência e observe sinais como:
- boca muito seca;
- poucas lágrimas ao chorar;
- redução da urina;
- fraldas permanecendo secas por períodos prolongados;
- sonolência ou prostração importantes.
Em bebês em aleitamento materno, manter a oferta do peito é especialmente importante.
E se a criança tiver uma convulsão durante a febre?
Algumas crianças podem apresentar convulsões associadas a episódios febris.
Embora muitas convulsões febris tenham evolução benigna, uma criança que apresenta uma primeira convulsão precisa ser avaliada por um profissional de saúde.
Durante uma crise, não coloque objetos ou medicamentos na boca da criança e não tente segurar seus movimentos. Coloque-a em um local seguro, preferencialmente de lado, observe o tempo de duração e procure atendimento.
Crises prolongadas ou acompanhadas de dificuldade respiratória exigem atendimento de emergência.
O que realmente precisamos observar quando uma criança está com febre?
Eu gosto de explicar aos pais que o termômetro conta apenas uma parte da história.
Imagine duas crianças com a mesma temperatura. Uma está tomando água, interagindo e volta a brincar quando se sente melhor. A outra está muito prostrada, não aceita líquidos e apresenta dificuldade para respirar.
O número pode ser igual. A situação clínica não é.
Por isso, quando seu filho estiver com febre, não observe apenas a temperatura. Observe a criança. Febre não precisa ser sinônimo de pânico.
Ver o termômetro subir assusta. Principalmente quando estamos diante de um bebê. Mas informação ajuda a substituir parte desse medo por observação e cuidado.
A maioria dos episódios febris na infância tem evolução favorável, especialmente quando relacionada a infecções virais. Ao mesmo tempo, existem situações que precisam de avaliação médica. E saber reconhecê-las é fundamental.
Você não precisa descobrir sozinho qual é a doença do seu filho. Seu papel é observar.
E o nosso, como pediatras, é avaliar a criança, investigar quando necessário e orientar a família sobre a melhor conduta.
Quando procurar a Clínica Consorte?
Se seu filho apresenta febre ou outros sintomas que estão causando preocupação, a avaliação pediátrica permite considerar idade, histórico, exame físico e estado geral da criança para definir a melhor conduta.
E lembre-se: bebês com menos de 3 meses com temperatura de 38°C ou mais devem receber avaliação médica.
Na Clínica Consorte, nosso olhar vai além de um sintoma isolado. Cuidamos da criança considerando seu desenvolvimento, sua história e as particularidades de cada família.

Perguntas frequentes sobre febre infantil
A partir de quanto é febre em bebê?
A interpretação depende do método e local de medição. Em bebês menores de 3 meses, temperatura de 38°C ou mais é um sinal importante e requer avaliação médica.
Toda febre alta é perigosa?
Não necessariamente. O valor da temperatura, isoladamente, não determina a gravidade. Idade, estado geral e sintomas associados precisam ser considerados.
Preciso acordar meu filho para dar antitérmico?
O uso de antitérmicos deve seguir a orientação do pediatra e considerar principalmente o conforto da criança. Não estabeleça esquemas de medicação por conta própria.
Posso dar banho frio para baixar a febre?
Banhos frios e outras medidas físicas agressivas não são recomendados. Elas podem aumentar o desconforto da criança.
Quando devo levar meu filho ao pronto atendimento?
Dificuldade respiratória, convulsão, alteração importante do estado de consciência, prostração intensa, sinais de desidratação ou outros sinais de alarme justificam avaliação médica. Em bebês menores de 3 meses, febre de 38°C ou mais também requer avaliação.


