Seu bebê mama, você o coloca no colo e, alguns minutos depois, vem aquela golfada.
Então começa a preocupação: “Será que isso é normal?”
Essa é uma dúvida muito comum entre mães e pais, especialmente nos primeiros meses de vida.
A primeira informação importante é que regurgitar é bastante comum em bebês. Em muitos casos, faz parte do próprio amadurecimento do organismo e tende a melhorar conforme a criança cresce.
Mas existem situações em que o refluxo vem acompanhado de outros sintomas e precisa ser investigado.
Por isso, mais importante do que observar apenas a quantidade de vezes que o bebê golfa é entender como ele está se desenvolvendo e como se comporta entre esses episódios.
Por que os bebês têm tanto refluxo?
O refluxo gastroesofágico acontece quando parte do conteúdo que estava no estômago retorna para o esôfago, podendo ou não chegar até a boca.
Nos primeiros meses, alguns fatores favorecem esse retorno.
O sistema digestivo do bebê ainda está amadurecendo, sua alimentação é líquida, ele passa bastante tempo deitado e os mecanismos responsáveis por evitar a regurgitação ainda estão em desenvolvimento.
Por isso, as famosas “golfadas” podem acontecer várias vezes ao dia.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, até 50% dos bebês saudáveis podem regurgitar várias vezes diariamente nos primeiros meses. A frequência tende a aumentar entre dois e quatro meses e diminuir progressivamente com o crescimento, resolvendo-se espontaneamente até o primeiro ano na maioria dos casos.
Golfada e vômito são a mesma coisa?
Não exatamente.
A regurgitação, popularmente chamada de golfada, geralmente acontece sem esforço. Uma pequena quantidade do conteúdo do estômago simplesmente retorna pela boca.
Já o vômito costuma envolver esforço para expulsar o conteúdo gástrico.
Essa diferença é importante durante a avaliação pediátrica, principalmente quando os episódios são frequentes ou estão associados a outros sintomas.
Quando o refluxo pode ser considerado normal?
Existe uma diferença entre o refluxo gastroesofágico fisiológico e a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).
No refluxo fisiológico, o bebê pode golfar com frequência e, ainda assim:
- mamar normalmente;
- ganhar peso adequadamente;
- crescer como esperado;
- não apresentar sofrimento importante;
- permanecer ativo e bem entre os episódios.
É aquele bebê que muitas famílias descrevem assim: “Ele golfa bastante, mas parece não se incomodar.”
Nessas situações, as regurgitações podem fazer parte dessa fase de amadurecimento.
Quando o refluxo em bebê merece atenção?
O cenário muda quando as regurgitações ou os vômitos começam a vir acompanhados de sinais que sugerem sofrimento ou comprometem o desenvolvimento da criança.
É importante conversar com o pediatra quando o bebê apresenta, por exemplo:
- dificuldade para ganhar peso ou perda de peso;
- recusa alimentar;
- irritabilidade ou dor importante;
- vômitos persistentes ou intensos;
- sangue no vômito;
- dificuldade para respirar;
- distensão abdominal;
- sonolência excessiva;
- febre;
- sangue nas fezes.
Vômitos esverdeados, convulsões e outros sinais importantes também exigem avaliação médica imediata.
Nesses casos, não devemos simplesmente assumir que “é refluxo”. Existem outras condições que podem causar sintomas semelhantes e precisam ser consideradas pelo pediatra.
Todo bebê com refluxo precisa tomar remédio?
Não. E esse é um ponto muito importante.
A presença de golfadas, isoladamente, não significa que o bebê tenha uma doença ou precise de medicamento.
Na maioria dos lactentes saudáveis com refluxo fisiológico e sem sinais de alerta, medicamentos não são necessários.
Também não é recomendado trocar fórmulas, retirar alimentos da dieta materna ou iniciar medicamentos por conta própria.
Choro, irritabilidade e dificuldade para dormir também podem ter diversas causas nessa fase da vida e não devem ser automaticamente atribuídos ao refluxo.
A avaliação individual da criança é fundamental para evitar tratamentos desnecessários.
O que os pais podem fazer quando o bebê apresenta refluxo?
A primeira orientação é observar o bebê como um todo.
- Como estão as mamadas?
- Ele está ganhando peso?
- Parece sentir dor?
- Como está o desenvolvimento?
- Existem outros sintomas associados?
Essas informações ajudam muito durante a consulta pediátrica.
Também é importante conversar com o pediatra sobre a rotina das mamadas e os cuidados após a alimentação.
E existe um cuidado que merece destaque: a segurança do sono não deve ser modificada por conta própria na tentativa de evitar o refluxo.
A posição recomendada para o sono seguro do lactente continua sendo de barriga para cima. Estratégias como alterar a posição de dormir ou inclinar superfícies devem ser discutidas com o pediatra.
Refluxo não deve transformar os primeiros meses em medo
Eu sei que ver um bebê tão pequeno golfando repetidamente pode gerar insegurança.
Especialmente para mães e pais de primeira viagem.
Mas uma das funções do acompanhamento pediátrico é justamente ajudar a família a diferenciar aquilo que faz parte do desenvolvimento daquilo que precisa ser investigado.
Na maioria das vezes, o refluxo fisiológico melhora conforme o bebê cresce e seu organismo amadurece.
O mais importante não é olhar apenas para a golfada. É olhar para o bebê.
Se ele está crescendo, ganhando peso, mamando bem e se desenvolvendo adequadamente, temos informações importantes sobre como essa fase está evoluindo.
E quando alguma coisa não parece bem, você não precisa descobrir sozinho o que está acontecendo. Procure o pediatra.
Quando agendar uma consulta?
Se o seu bebê apresenta refluxo frequente, dificuldade nas mamadas, irritabilidade, alterações no ganho de peso ou qualquer outro sintoma que esteja trazendo preocupação, uma avaliação pediátrica pode ajudar a entender o quadro e definir a conduta adequada.
Na Clínica Consorte, cada criança é avaliada considerando sua história, desenvolvimento e necessidades individuais.
👉Agende uma consulta pediátrica aqui.

Perguntas frequentes (FAQ)
1. É normal recém-nascido ter refluxo?
Regurgitações são frequentes nos primeiros meses de vida e, quando o bebê está saudável, crescendo adequadamente e sem sinais de sofrimento, podem representar refluxo fisiológico.
2. Quando o refluxo do bebê costuma melhorar?
A frequência costuma diminuir conforme o sistema digestivo amadurece e o bebê cresce. Na maioria dos casos fisiológicos, há resolução espontânea durante o primeiro ano de vida.
3. Bebê com refluxo precisa tomar medicamento?
Não necessariamente. Regurgitação fisiológica não significa doença e, em lactentes sem sinais de alerta, medicamentos geralmente não são necessários. A indicação deve ser feita pelo pediatra após avaliação.
4. Refluxo pode prejudicar o ganho de peso?
Quando há doença do refluxo gastroesofágico, podem ocorrer dificuldade para ganhar peso, recusa alimentar e outros sintomas. Por isso, alterações no crescimento devem ser avaliadas pelo pediatra.
5. Posso colocar o bebê para dormir inclinado por causa do refluxo?
Não modifique a posição de sono por conta própria. Para lactentes, a recomendação de sono seguro é de barriga para cima. Converse com o pediatra sobre qualquer adaptação.


